Renúncia de herança no inventário judicial: efeitos e formalidades
Nem todo herdeiro deseja, ou tem interesse prático, em receber sua parte da herança — seja por questões pessoais, seja porque o espólio envolve mais dívidas do que benefícios. A renúncia de herança é o instrumento jurídico para formalizar essa decisão dentro do inventário.
A formalidade exigida para a renúncia
A renúncia à herança deve ser feita de forma expressa, através de escritura pública ou termo judicial nos próprios autos do inventário — diferente da aceitação da herança, que pode ser presumida por atos do herdeiro, a renúncia exige essa formalidade específica, justamente por ser um ato de disposição de direitos.
Renúncia pura e simples x renúncia in favorem
A renúncia pura e simples (também chamada abdicativa) simplesmente exclui o herdeiro da sucessão, fazendo com que sua parte seja redistribuída entre os demais herdeiros da mesma classe, como se ele nunca tivesse existido para fins daquela sucessão. Já a chamada renúncia "in favorem" (em favor de pessoa determinada) é, tecnicamente, uma cessão de direitos hereditários combinada com aceitação da herança — com tratamento jurídico e, principalmente, tributário diferente, já que pode configurar doação.
Por que a diferença entre os dois tipos importa tanto
A renúncia pura e simples não gera, em regra, incidência de ITCMD sobre doação, já que o herdeiro simplesmente não recebe a herança, que é redistribuída automaticamente pela lei. Já a renúncia em favor de pessoa específica pode ser interpretada como uma dupla operação — recebimento da herança seguido de doação a terceiro — sujeitando-se à incidência de ITCMD sobre essa segunda etapa.
A herança não pode ser aceita ou renunciada parcialmente
O Código Civil veda a aceitação ou renúncia parcial, condicional ou a termo da herança — o herdeiro deve decidir integralmente por aceitar ou renunciar à totalidade do que lhe cabe, não podendo, por exemplo, aceitar apenas os bens e renunciar às dívidas correspondentes.
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Renúncia por herdeiro menor ou incapaz
A renúncia de herança em nome de menor ou incapaz depende de autorização judicial específica, com demonstração de que o ato é efetivamente do interesse do incapaz — situação incomum, já que normalmente a renúncia não beneficia quem é representado, mas pode ocorrer em situações específicas, como espólio com mais dívidas do que bens.
O que acontece com os credores do herdeiro renunciante
Se o herdeiro renunciante tem dívidas próprias, seus credores podem, em algumas situações, questionar judicialmente a renúncia caso ela tenha sido feita especificamente para frustrar o pagamento dessas dívidas — mecanismo semelhante à fraude contra credores em outras áreas do direito civil.
Como decidir se a renúncia é a melhor opção
Antes de renunciar, é importante avaliar cuidadosamente a real composição do espólio — bens e dívidas — já que, uma vez formalizada, a renúncia é, em regra, irretratável.
A Advocacia Eko Beneton orienta herdeiros que consideram renunciar à herança sobre os efeitos jurídicos e tributários dessa decisão antes de qualquer formalização definitiva.
