Assim como discutido no contexto do inventário judicial, um herdeiro pode optar por renunciar à sua parte na herança também dentro do processo extrajudicial — a formalização, nesse caso, ocorre diretamente através de escritura pública, sem necessidade de intervenção judicial específica para esse ato.
Como a renúncia é formalizada no cartório
O herdeiro renunciante comparece ao mesmo cartório onde tramita o inventário (ou a outro tabelionato, formalizando escritura própria de renúncia posteriormente juntada ao processo), declarando expressamente sua vontade de renunciar à herança, com os mesmos efeitos jurídicos de uma renúncia formalizada judicialmente.
A renúncia precisa ser total, mesmo na via extrajudicial
Assim como no âmbito judicial, não é possível renunciar apenas parcialmente à herança — a renúncia extrajudicial também deve abranger a totalidade do que caberia ao herdeiro, sem possibilidade de aceitar apenas os bens e recusar as dívidas correspondentes.
O efeito da renúncia sobre a partilha entre os demais herdeiros
Com a renúncia formalizada, a parte que caberia ao herdeiro renunciante é redistribuída entre os demais herdeiros da mesma classe, como se ele nunca tivesse existido para os fins daquela sucessão específica — a escritura de inventário reflete essa nova distribuição.
Renúncia por herdeiro menor: sempre exige via judicial
Diferente da participação regular no inventário (que pode seguir extrajudicialmente sob as condições da Resolução CNJ 571/2024), a renúncia de herança em nome de herdeiro menor ou incapaz sempre exige autorização judicial específica — um ato de disposição de direitos dessa natureza não pode ser formalizado apenas extrajudicialmente quando envolve incapazes.
Cuidados antes de renunciar pela via extrajudicial
Assim como discutido no contexto judicial, a renúncia é, em regra, irretratável — por isso, é fundamental que o herdeiro tenha pleno conhecimento da composição do espólio (bens e dívidas) antes de formalizar essa decisão em cartório.
Diferença entre renúncia pura e cessão de direitos, também na via extrajudicial
A mesma distinção discutida no âmbito judicial se aplica aqui: a renúncia pura e simples não gera, em regra, tributação de ITCMD sobre doação, enquanto a renúncia em favor de pessoa específica pode ser interpretada como cessão de direitos seguida de doação, com tratamento tributário distinto.
Como isso impacta o andamento do inventário extrajudicial
A renúncia de um herdeiro não impede, por si só, que os demais sigam pela via extrajudicial — desde que continue havendo consenso entre todos os herdeiros remanescentes sobre a nova composição da partilha após a redistribuição da parte renunciada.
A Advocacia Eko Beneton orienta herdeiros que consideram renunciar à herança dentro do processo extrajudicial, formalizando corretamente essa decisão em cartório e avaliando seus efeitos tributários e patrimoniais.
