Família

Múltiplos casamentos do falecido: como fica a partilha entre famílias diferentes

Por Thais Beneton·

Múltiplos casamentos do falecido: como fica a partilha entre famílias diferentes

Famílias recompostas — com filhos de diferentes casamentos ou relacionamentos — são cada vez mais comuns, e o inventário precisa lidar com essa realidade de forma tecnicamente correta, respeitando os direitos de todos os herdeiros, independentemente de qual relacionamento os originou.

O princípio da igualdade entre os filhos

A Constituição Federal veda qualquer forma de discriminação entre filhos, havidos ou não da relação de casamento, ou por adoção — o que significa que todos os filhos do falecido, de qualquer relacionamento, têm exatamente os mesmos direitos sucessórios, sem distinção de "filhos do primeiro casamento" ou "filhos do segundo casamento".

Como funciona a partilha entre os descendentes

Todos os filhos concorrem igualmente à herança do pai ou da mãe falecido, dividindo entre si a parte que lhes cabe (respeitada a meação do cônjuge ou companheiro sobrevivente, quando aplicável ao regime de bens) — a divisão se dá por cabeça, entre todos os filhos, independentemente de qual união os gerou.

E o cônjuge ou companheiro atual?

O cônjuge ou companheiro sobrevivente do relacionamento vigente à época do óbito participa da sucessão conforme a ordem de vocação hereditária e o regime de bens do casamento ou união — mas relacionamentos anteriores já formalmente encerrados (por divórcio, por exemplo) não geram, em regra, direitos sucessórios para o ex-cônjuge ou ex-companheiro.

O que acontece com bens de casamentos anteriores já partilhados

Bens que já foram objeto de partilha em divórcio anterior ao óbito não voltam a ser discutidos no inventário — apenas o patrimônio existente no momento do falecimento, pertencente ao falecido, integra o espólio a ser inventariado.

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Situações que geram mais atrito entre as famílias

É comum que o levantamento completo de todos os filhos e relacionamentos do falecido gere tensão entre diferentes núcleos familiares, especialmente quando havia pouco ou nenhum contato entre eles em vida — nesses casos, a atuação de um inventariante imparcial, ou até de um profissional externo à família, pode ajudar a reduzir conflitos.

A importância de identificar todos os herdeiros desde o início

Deixar de incluir um filho de relacionamento anterior no levantamento inicial, ainda que por desconhecimento genuíno, pode gerar posteriormente uma ação de petição de herança, com todo o desgaste e retrabalho que isso representa — por isso, um levantamento cuidadoso e completo logo no início do processo é essencial.

Planejamento sucessório para famílias recompostas

Para quem está organizando sua sucessão em vida e tem filhos de diferentes relacionamentos, ferramentas como testamento (dentro dos limites da legítima) ou holding familiar podem ajudar a organizar antecipadamente a divisão do patrimônio, reduzindo a chance de conflitos futuros entre os diferentes núcleos familiares.

A Advocacia Eko Beneton conduz inventários de famílias recompostas com sensibilidade e rigor técnico, garantindo que todos os herdeiros, de qualquer relacionamento do falecido, tenham seus direitos integralmente respeitados.

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