Família

Inventário suspenso por ação de investigação de paternidade em curso

Por Thais Beneton·

Inventário suspenso por ação de investigação de paternidade em curso

Quando alguém reivindica ser filho do falecido através de ação de investigação de paternidade ainda não julgada, surge uma questão prática importante: o inventário deve aguardar essa definição, ou pode prosseguir normalmente entre os herdeiros já reconhecidos?

Por que a suspensão pode ser necessária

Se a investigação de paternidade for julgada procedente após a conclusão da partilha, o novo filho reconhecido teria direito a uma parte da herança que já foi distribuída entre os demais herdeiros — para evitar essa complicação prática (recuperar bens já repassados a terceiros, por exemplo), é comum que se busque a suspensão do inventário até a resolução da ação de paternidade.

Como a suspensão é requerida

Qualquer parte interessada — inclusive o próprio autor da ação de investigação de paternidade — pode requerer ao juízo do inventário a suspensão do processo até o julgamento definitivo da ação de paternidade, demonstrando a conexão entre as duas demandas.

O inventário pode prosseguir parcialmente

Em muitas situações, é possível que o inventário prossiga em relação aos atos que não impliquem risco à posição do suposto filho ainda não reconhecido — como o levantamento de bens e o pagamento de dívidas do espólio — reservando-se apenas a partilha final até a resolução da paternidade questionada.

Reserva de quinhão para o suposto herdeiro

Uma alternativa à suspensão total é a reserva de um quinhão proporcional ao que caberia ao suposto filho, permitindo que a partilha entre os demais herdeiros prossiga, com a parte reservada aguardando a decisão final da ação de paternidade.

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O que acontece se a paternidade for reconhecida após a partilha

Se, apesar de tudo, a partilha já foi concluída antes do reconhecimento da paternidade, o filho reconhecido pode buscar seus direitos através da ação de petição de herança, discutida em outro conteúdo, embora essa via seja naturalmente mais desgastante do que a inclusão desde o início do processo.

Como a ação de investigação de paternidade post mortem funciona

A investigação de paternidade pode ser proposta mesmo após o falecimento do suposto pai, com a produção de prova pericial (exame de DNA em parentes próximos, quando o próprio falecido não deixou material biológico preservado) e demais provas disponíveis sobre a relação entre as partes.

O equilíbrio entre celeridade e segurança jurídica

A decisão sobre suspender ou não o inventário sempre envolve um equilíbrio entre a celeridade desejada pelos herdeiros já reconhecidos e a segurança jurídica de evitar uma partilha que precise ser desfeita posteriormente — cabendo ao juiz avaliar, caso a caso, qual caminho é mais adequado.

A Advocacia Eko Beneton orienta tanto herdeiros já reconhecidos quanto supostos filhos em processo de reconhecimento de paternidade sobre a melhor estratégia para lidar com o inventário nessas situações mais delicadas.

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