Família

Direito real de habitação do cônjuge ou companheiro sobrevivente

Uma das proteções mais importantes — e, ainda assim, menos conhecidas — do direito sucessório brasileiro é o direito real de habitação: a garantia de que o cônjuge ou companheiro sobrevivente possa continuar residindo no imóvel da família, mesmo que não seja o único herdeiro daquele bem.

O que a lei garante

O artigo 1.831 do Código Civil assegura ao cônjuge sobrevivente, independentemente do regime de bens do casamento, o direito real de habitação relativo ao imóvel destinado à residência da família, desde que seja o único bem dessa natureza a inventariar — direito que a jurisprudência majoritária estende também aos companheiros em união estável.

Características desse direito

  • É vitalício: dura enquanto o cônjuge ou companheiro sobrevivente viver, independentemente de novo casamento ou união estável posterior, segundo entendimento consolidado sobre o tema;
  • É gratuito: o beneficiário não precisa pagar qualquer valor aos demais herdeiros (proprietários) pelo uso do imóvel;
  • Não depende de ser o único proprietário: mesmo que o imóvel seja partilhado entre vários herdeiros, o direito de habitação garante ao cônjuge sobrevivente o uso exclusivo da moradia.

O requisito de ser o único imóvel residencial

A redação legal condiciona esse direito à situação em que o imóvel de residência da família seja o único bem dessa natureza a inventariar — se o falecido deixou mais de um imóvel residencial, a aplicação automática desse direito específico pode ser objeto de discussão, dependendo da interpretação adotada no caso concreto.

Os demais herdeiros podem vender o imóvel?

Embora sejam proprietários (nua-propriedade, na prática, enquanto durar o direito de habitação), os demais herdeiros não podem retirar o cônjuge ou companheiro sobrevivente do imóvel, nem vendê-lo de forma a prejudicar esse direito, enquanto ele estiver vivo — qualquer venda ficaria sujeita à manutenção do direito real de habitação em favor do beneficiário.

Diferença entre direito real de habitação e usufruto

Ao contrário do usufruto, que pode incidir sobre qualquer bem e é constituído por acordo entre as partes ou por disposição testamentária, o direito real de habitação é uma garantia legal automática, específica sobre o imóvel residencial, que não depende de acordo entre os herdeiros para existir.

O direito real de habitação e o companheiro em união estável

A extensão desse direito aos companheiros em união estável foi consolidada pelo Supremo Tribunal Federal, ao equiparar os regimes sucessórios do casamento e da união estável — reforçando a proteção habitacional independentemente da formalização do vínculo através de casamento civil.

Como isso é formalizado no inventário

O reconhecimento do direito real de habitação deve constar expressamente da partilha, com a devida averbação na matrícula do imóvel, garantindo publicidade e segurança jurídica sobre essa restrição em favor do cônjuge ou companheiro sobrevivente.

A Advocacia Eko Beneton garante que o direito real de habitação seja devidamente reconhecido e formalizado nos inventários que envolvem cônjuge ou companheiro sobrevivente, protegendo sua moradia perante os demais herdeiros.

Sobre este conteúdo

Texto informativo da equipe da Advocacia Eko Beneton, escritório de advocacia em Maringá-PR. Ele não substitui a análise de um advogado sobre o seu caso concreto. Conheça o escritório.

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