Família

Deserdação: em quais casos um herdeiro pode perder o direito à herança

Os herdeiros necessários (descendentes, ascendentes e cônjuge) têm direito garantido a uma parte mínima da herança, chamada legítima, que não pode ser livremente afastada pelo testador em situações comuns. A deserdação é a exceção a essa regra: um mecanismo legal específico para excluir um herdeiro necessário da sucessão, diante de condutas graves.

A deserdação exige testamento válido

Diferente da exclusão por indignidade (que pode ser declarada judicialmente mesmo sem manifestação prévia do falecido), a deserdação exige testamento expresso, no qual o falecido declare a vontade de deserdar determinado herdeiro, indicando a causa legal específica que fundamenta essa decisão.

As causas de deserdação de descendentes por ascendentes

O Código Civil prevê causas específicas, incluindo: ofensa física; injúria grave; relações ilícitas com a madrasta ou o padrasto; desamparo do ascendente em alienação mental ou grave enfermidade.

As causas de deserdação de ascendentes por descendentes

De forma recíproca, também é possível a deserdação de ascendentes pelos descendentes, com causas semelhantes: ofensa física; injúria grave; relações ilícitas com a mulher ou companheira do filho, ou com o marido ou companheiro da filha; desamparo do filho ou neto com deficiência mental ou grave enfermidade.

A necessidade de comprovação judicial da causa

A simples menção da causa no testamento não é suficiente — o herdeiro interessado na deserdação (normalmente outro herdeiro beneficiado pela exclusão) deve, dentro do prazo legal, ajuizar ação específica para comprovar a veracidade da causa alegada, sob pena de a deserdação não produzir efeitos.

O prazo para propor a ação de deserdação

A ação para comprovar a causa de deserdação deve ser proposta no prazo de quatro anos, contado da abertura do testamento — prazo decadencial que, uma vez esgotado sem a propositura da ação, torna a deserdação sem efeito, mantendo o herdeiro em sua posição sucessória normal.

Diferença entre deserdação e exclusão por indignidade

Ambos os institutos resultam na perda do direito à herança, mas por caminhos diferentes: a deserdação depende de manifestação expressa do falecido em testamento válido, enquanto a exclusão por indignidade pode ser requerida judicialmente por qualquer interessado, mesmo sem testamento, com base em causas legais próprias — tema tratado em profundidade em outro conteúdo específico.

Como isso impacta o inventário

Enquanto a ação de deserdação não é julgada, o herdeiro apontado como deserdado permanece, em regra, como parte no inventário até decisão judicial definitiva sobre a exclusão — o que pode gerar necessidade de suspensão de determinados atos da partilha até a resolução dessa questão.

A Advocacia Eko Beneton atua tanto na defesa de herdeiros contra tentativas infundadas de deserdação quanto na comprovação judicial de causas legítimas de deserdação previstas em testamento.

Sobre este conteúdo

Texto informativo da equipe da Advocacia Eko Beneton, escritório de advocacia em Maringá-PR. Ele não substitui a análise de um advogado sobre o seu caso concreto. Conheça o escritório.

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