Revisão de Financiamento

Contratos antigos (antes de 2020): ainda é possível revisar?

Por Thais Beneton·

Contratos antigos (antes de 2020): ainda é possível revisar?

Contratos de financiamento firmados há vários anos frequentemente são deixados de lado por quem pensa em revisão, sob a suposição de que "já é tarde demais". Como já discutido no tema de prescrição, isso nem sempre é verdade — mas contratos antigos trazem, de fato, algumas particularidades práticas próprias que merecem atenção.

O desafio de reunir a documentação

O maior obstáculo prático em contratos antigos costuma ser reunir a documentação completa — muitas instituições financeiras já não têm, ou demoram mais para localizar, contratos e planilhas de amortização de operações realizadas há muitos anos. Isso reforça a importância de solicitar essa documentação o quanto antes, mesmo que a decisão de judicializar ainda não esteja tomada.

Mudanças legislativas e jurisprudenciais ao longo do tempo

A legislação e a jurisprudência sobre juros, capitalização e tarifas bancárias evoluíram significativamente ao longo dos anos — o que significa que a análise de um contrato de 2015, por exemplo, deve considerar o entendimento jurídico vigente à época da contratação, mas também os desenvolvimentos jurisprudenciais posteriores que podem ser aplicados retroativamente em determinadas discussões.

Contratos com taxas de juros historicamente mais altas

Em alguns períodos, as taxas médias de mercado para financiamento de veículo foram mais altas do que as praticadas atualmente — por isso, ao comparar seu contrato antigo com a média de mercado, é fundamental usar os dados históricos do Banco Central referentes à data exata da contratação, e não os índices atuais.

O impacto do tempo sobre o valor a restituir

Uma vantagem de contratos antigos, quando ainda dentro do prazo prescricional, é que o tempo decorrido aumenta o valor da correção monetária e dos juros de mora sobre eventuais valores a restituir — o que pode tornar financeiramente mais relevante um contrato antigo do que um mais recente com irregularidade proporcionalmente menor.

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Como avaliar se o seu contrato antigo ainda vale a pena revisar

  1. Verifique a data da contratação e, se já quitado, a data da última parcela ou da quitação antecipada;
  2. Avalie, com o auxílio de um advogado, se o prazo prescricional aplicável ao seu caso específico ainda está em curso;
  3. Tente reunir o máximo de documentação disponível, mesmo que incompleta, para uma primeira análise de viabilidade.

Contratos muito antigos sem documentação: ainda há saída?

Mesmo sem a documentação completa em mãos, o direito de exibição de documentos pode ser exercido judicialmente, obrigando a instituição financeira a apresentar o que ainda tiver em seus registros — embora a ausência de documentação, quando também não localizada pelo banco, possa dificultar a comprovação de determinados pontos específicos do contrato.

A Advocacia Eko Beneton avalia contratos antigos com atenção às particularidades históricas de cada período, buscando reunir a documentação necessária mesmo em operações realizadas há vários anos.

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