Busca e Apreensão

Busca e apreensão extrajudicial em cartório: como funciona e como se defender

Por Equipe Advocacia Eko Beneton·

Resposta rápida: a busca e apreensão extrajudicial é o procedimento em que o banco pede ao cartório de registro de títulos e documentos a cobrança e a retomada do veículo financiado com alienação fiduciária, sem passar por um juiz. Ela foi criada pela Lei nº 14.711/2023 (Marco Legal das Garantias). O devedor é notificado para pagar a dívida em prazo legal e, se não pagar, a propriedade pode ser consolidada em nome do banco. Mesmo fora do Judiciário, o devedor pode questionar irregularidades na Justiça.

O que mudou com o Marco Legal das Garantias

Até 2023, a retomada de um veículo financiado dependia de uma ação judicial de busca e apreensão, regulada pelo Decreto-Lei nº 911/1969. A Lei 14.711/2023 incluiu nesse decreto um caminho alternativo, feito em cartório, para acelerar a recuperação do bem pelo credor.

O procedimento judicial continua existindo. Cabe ao banco escolher a via, e a extrajudicial exige o cumprimento de requisitos próprios.

Como funciona o procedimento no cartório

1. Requerimento do credor

O banco apresenta ao cartório o contrato, a comprovação do atraso e o cálculo da dívida, pedindo a notificação do devedor.

2. Notificação do devedor

O cartório notifica o devedor para pagar a dívida no prazo indicado na notificação, que a lei fixa em 20 dias. Esse é o momento mais importante: é nele que o devedor deve conferir o valor cobrado e procurar orientação.

3. Consolidação da propriedade

Sem pagamento no prazo, a propriedade do veículo pode ser consolidada em nome do credor, que passa a poder retomar o bem.

4. Localização e recolhimento

A lei permite que o credor busque o veículo com apoio de empresas especializadas e dos órgãos de trânsito. A entrega voluntária também é possível.

Judicial x extrajudicial: diferenças principais

Ponto Via judicial Via extrajudicial
Quem conduz Juiz e oficial de justiça Cartório de registro de títulos e documentos
Início Ação com pedido de liminar Requerimento do credor ao cartório
Prazo para pagar 5 dias após a apreensão Prazo da notificação do cartório
Defesa Contestação no próprio processo Ação judicial própria, se houver irregularidade
Base legal Art. 3º do Decreto-Lei 911/1969 Dispositivos incluídos pela Lei 14.711/2023

O devedor pode se defender?

Sim. O procedimento em cartório não impede o acesso à Justiça. Se houver irregularidade, o devedor pode propor ação para suspender ou anular os atos, inclusive com pedido de tutela de urgência. Os pontos mais verificados são:

  • notificação: se foi feita pelo cartório competente, no endereço correto e com as informações exigidas;
  • valor cobrado: tarifas, seguros e encargos não previstos, ou parcelas pagas que não foram abatidas;
  • encargos abusivos: juros muito acima da média de mercado podem afastar a caracterização da mora, como explicamos em cláusulas abusivas como matéria de defesa;
  • contrato: se ele permite a via extrajudicial e se o credor seguiu todas as etapas;
  • forma da retomada: abusos no recolhimento do veículo, como constrangimento ou ingresso em local fechado sem autorização.

O que fazer ao receber a notificação do cartório

  1. Anote a data do recebimento e o prazo indicado.
  2. Peça o demonstrativo da dívida e compare com os seus comprovantes de pagamento.
  3. Verifique os juros do contrato e as tarifas cobradas.
  4. Avalie com um advogado se é caso de pagar, negociar ou questionar o procedimento.
  5. Se decidir negociar, formalize o acordo por escrito antes do fim do prazo.

Ignorar a notificação costuma ser o pior caminho, porque o prazo corre mesmo sem resposta.

Atendimento em Maringá e região

A Advocacia Eko Beneton analisa notificações de cartório e ações de busca e apreensão em Maringá, Sarandi, Paiçandu, Marialva, Mandaguaçu e demais cidades, com atendimento presencial ou online. Veja também o guia completo sobre defesa na busca e apreensão de veículo.

Precisa de ajuda com uma busca e apreensão?

Os prazos são curtos e começam a correr no dia da apreensão ou da notificação. Fale com a equipe da Advocacia Eko Beneton pelo WhatsApp e envie o número do processo ou a notificação recebida para uma análise inicial.

Perguntas frequentes

O banco pode tomar o carro sem processo judicial?

Desde a Lei 14.711/2023, o credor pode usar um procedimento extrajudicial em cartório para cobrar a dívida e consolidar a propriedade do veículo financiado com alienação fiduciária, desde que cumpra os requisitos legais. A via judicial continua disponível.

Qual é o prazo para pagar depois da notificação do cartório?

A notificação informa o prazo para pagamento, que a lei fixa em 20 dias. Sem pagamento nesse período, a propriedade pode ser consolidada em nome do credor.

Dá para contestar a busca e apreensão extrajudicial?

Sim. Como não há processo no cartório para apresentar contestação, o devedor pode ir à Justiça para questionar irregularidades na notificação, no valor cobrado ou no procedimento, inclusive com pedido de urgência.

A busca e apreensão extrajudicial vale para moto e caminhão?

Vale para veículos financiados com alienação fiduciária em geral, incluindo motos, caminhões e utilitários, desde que o credor siga os requisitos da lei.

Sobre este conteúdo

Texto informativo da equipe da Advocacia Eko Beneton, escritório de advocacia em Maringá-PR. Ele não substitui a análise de um advogado sobre o seu caso concreto. Conheça o escritório.

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